terça-feira, 6 de agosto de 2013

Morada



Escrito por Ariane Menezes - Madame Sombra.



Fria.

    Assim como a chuva grossa que desaba lá fora,  assim como meus pés, mãos e lábios, como o vento de desolação e abandono que percorre a espinha do meu corpo. Assim me disse os sussurros do vento noturno, -daquela noite em que, enfadonha, andei o mais rápido que pude na tentativa falha de afugentar os medos meus- que assim eu deveria ser.
    Falha.
    Inútil tem sido correr dos medos pois eles se findaram em mim, e eu assim me tornei o próprio medo. Sou morada do desassossego, sou morada de uma solidão esmagadora. É um fardo pesado segurar meu calculismo, mas as mágoas e rancores são combustíveis fortes para essa árdua defensiva. Sou morada da dúvida, e mantenho guarnecidos os sentimentos para guarnecer o pouco do resto desse coração que sobrou.
   Gélido.
    Assim se fez o porto em que estou ancorada, a casa que ninguém deseja morar, o coração apodrecido que à ninguém deseja pertencer. É como um corpo sem vida vestido para viver, e de vivo e quente que restou em mim, somente meu sangue amargo que faço escorrer... Para a morada esquecida onde antes morava alguém chamado Amor.

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